Esculturas feitas a partir de pranchas de skate partidas

O artista japonês Haroshi faz sua arte reciclando shapes de skates velhos e gastos. Seu estilo mistura mosaico, pontos e pixels e o material é entrelaçado para a criação de incríveis esculturas. Haroshi conhece bem todas as partes do skate e como amante do esporte sente-se relutante em jogar fora os que não tem mais funcionalidade.

O artista japonês Haroshi é o responsável por estas peças de arte. Apaixonado pelo skateboard desde a adolescência, se interessa por todos os pormenores deste desporto radical, principalmente pelos detalhes da prancha: desde as formas côncavas, às rodas de plástico e metal.

Relutante em deitar fora as pranchas velhas e partidas, Haroshi começou a colecioná-las. Daí a decidir usá-las para o seu trabalho foi apenas um pequeno passo. Hoje, elas tornaram-se o seu instrumento de comunicação e a essência da sua identidade artística. Para construir uma destas peças tridimensionais, o artista utiliza e empilha várias camadas de pranchas curvas, que divergem em forma (dependendo da fábrica, da marca e do modelo). Com experiência, Haroshi começou a dominar esta técnica difícil e consegue hoje diferenciar todos estes tipos de pranchas. Quando escolhe quais usar para cada trabalho, é altura de cortá-las, dar-lhes forma e sentido e poli-las.

O processo usado pelo artista é inspirado na técnica tradicional japonesa de esculpir Budas, em que 90% das peças resultam da sobreposição de camadas de madeira de forma a poupar material e reduzir o peso da estátua. Haroshi inspirou-se também no artista japonês do século XII, Unkei, que colocava uma bola de cristal no interior das suas estátuas de Buda, no local onde deveria estar o coração. Por isso, as suas peças têm uma peça de skate partida no seu interior, invisível do exterior. Escolhida da enorme coleção do artista, este pormenor dá alma às suas criações.

O trabalho de Haroshi tem sido mostrado em várias exposições em diferentes pontos do mundo, a última das quais na Jonathan Levine Gallery, em Nova Iorque. Nesta galeria a sua coleção foi apresentada com o título “Future Primitive”, aludindo às raízes tradicionais nipônicas e ao caráter contemporâneo das peças, que usam uma matéria-prima do século XXI e representam imagens presentes na cultura pop, como o Super Mario ou a maçã da Apple.

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